sábado, 30 de novembro de 2013

Achados e perdidos



Perdeu-se um grande amor, foi de repente


quem encontrar  faça a si próprio um favor


trate bem dele, não seja negligente


não espere a perda lhe ensinar o seu valor




Achou-se à chuva, chorando bem baixinho


um ser sozinho, que não soube se explicar


explique a ele com amor, devagarinho


que só em si é que ele mesmo vai se achar




Perdeu-se a esperança, novamente


o guarda-chuva, sim, seria a lamentar


a esperança mora bem dentro da gente


basta sorrir e a gente volta a encontrar

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Escondida

Encontro outra vez
escondida
no fundo de não sei quê
a esperança banida
a febre, a vontade, o porquê

Pego aquilo que me cabe
encho os bolsos (ninguém vê)
bato o pó e pego a estrada

(sempre há outro amanhecer...)

julho '13

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Desencontro

Ali estavas desde a hora em que cheguei
mas distraído, no momento não te vi
a ti queria e sem querer me esquivei
de tantos sonhos que sonhava e esqueci


Sentada estavas quando a banda começou
a entoar doces canções que então dancei
olhos em mim o tempo todo e eu nem notei
(e tu sabias todo o tempo quem eu sou)


Ainda sóbria a cada taça que eu bebi
só esperavas a atenção que eu não te dei


Ali ficaste no momento em que parti
(Felicidade, quase, quase te encontrei)


Junho '13

Fugaz

Encantam-me as vivas saudades
das coisas que eu não vivi
amores e paisagens
que eu não tive, eu não vi
ancoro-me então nas verdades
aquelas que eu sequer sei
(soçobram lembranças fugazes
dos versos que eu deletei)


Junho '13

Namorados

Tão ímpares
esses pares
que brigam por coisa pouca
entendem-se só de olhares
e estão por todos os lados
faceiros
impacientes
dóceis, vorazes
carentes
somos nós
os namorados


12 de junho de 2013

Mundos

Os mundos em que vivemos
simples loucos
caos ameno
causam menos desconforto
do que se possa contar
Causam sim muitos momentos
múltiplos sentimentos
quietudes
enfrentamentos
e o que se queira encontrar
Há mundos bons de toda a ordem
outros maus de amargar
Precisos, corretos, brilhantes
e o mesmo tanto a consertar
Abril '13

Linimento

Horas
de um marrom-avermelhado
um desencanto
um estupor de sensações

Turbilhões silenciosos
pasmo, espanto
e a ânsia muda
sem pensar em soluções

Um relaxar forçado
um linimento
vazio de reflexões

Nada a se fazer,
enfim:
experimento.


Setembro '12

Tradução

Eu sempre escrevo à noite
e sempre sóbrio
pra aproveitar melhor
o efeito inebriante das palavras

eu sempre escrevo só
sempre em silêncio
buscando ouvir do peito
meus segredos mudos
minhas verdades sussurradas

eu sou um tradutor de mim mesmo
que tenta dar sentido e forma
aos garranchos
que a vida escreveu
na minha alma

querendo sempre acreditar
que não há Carta
que não se possa reler
nem frase que se possa entender
definitivamente...

Agosto '99

Estranho

Estranho
é não saber
o que eu sabia
quando pensava entender
não inquiria

Certezas
de um tempo
(é... quem diria)
em que de certo mesmo nada havia

setembro'12